Resenha: Vox - Christina Dalcher - Editora Arqueiro

Título: Vox
Autora: Christina Dalcher 
Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Onde Comprar: AMAZON 
Sinopse:

Uma distopia atual, próxima dos dias de hoje, sobre empoderamento e luta feminina.
O SILÊNCIO PODE SER ENSURDECEDOR #100PALAVRAS
O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade.
Esse é só o começo...
Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir.
...mas não é o fim.
Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.




No mês de outubro a editora Arqueiro traz um lançamento para nos fazer refletir, sobretudo pelo momento atual que estamos vivendo no cenário político. 

Vox é uma distopia que nos tira completamente da zona de conforto e dá aquela chacoalhada em nossa mentes, deixando o leitor completamente chocado a cada capítulo. 

Em uma Era onde todos ou quase todos têm acesso a inúmeras informações e estão sempre se comunicando através de tantas tecnologias, pode não ter se dado conta, mas já pensou se você fosse privado de conversar? Ou dever obediência aos homens por perder seu direito de ir e vir? De ser a mulher independente, lutando por seus objetivos que está acostumada a ser?

“Pensem em acordar um dia e descobrir que não têm voz em nada. – Ela faz uma pausa depois de cada uma das últimas cinco palavras, com os dentes trincados.”

Pois é exatamente isso que Vox coloca em cheque. Após uma reviravolta na política atual dos Estados Unidos, as pessoas veem suas vidas mudarem da água para o vinho. 

“Como mulheres, devemos manter o silêncio e obedecer. Se precisarmos saber de algo, perguntemos aos nossos maridos na intimidade do lar, porque é vergonhoso uma mulher questionar a liderança do homem, ordenada por Deus.”

As mulheres foram obrigadas a controlar sua quantidade de palavras ditas. Com o limite de apenas cem palavras por dia controladas através de um contador de pulso, a cada ultrapassagem sofriam consequências bem dolorosas e as punições que vinha em forma de descargas elétricas aumentavam de acordo com o número de palavras que eram ultrapassadas. 

"O que as meninas estudam agora? Um pouco de soma e subtração, ver as horas, saber contar o troco. Contar, claro. Devem aprender a contar até cem."

Completamente insano não é?

A trama é toda trabalhada em cima desse aspecto e mostra de perto uma família, assim conseguimos ter uma visão bem dolorosa de como toda essa mudança afetou não apenas o relacionamento com o mundo externo, mas principalmente dentro do lar, que deveria ser um local de paz, harmonia e amor, acabou sendo de muita dor e revoltas.

"- Tenha cuidado, querida. Você tem muito mais a perder do que sua voz."

A família em questão é da neurocientista Jean McClellan. Mãe, sendo um de seus filhos uma menina, casada, sempre passou grande parte de sua vida em pesquisas e a que mais lhe interessava está ligada a fala. Por ser fonoaudióloga, claro que sua área de interesse seria nesse campo e podemos acompanhar como trabalhava na procura de retomar as atividades que inibiam a comunicação oral e escrita, causada por danos neurológicos na afasia de Wernicke. 

Mas depois que o cenário político foi modificado pelos homens que estava no poder, a Dra. Jean teve que parar sua pesquisa e voltar a ser uma dona do lar. 

Conforme os capítulos vão sendo apresentados, nos deparamos com passagens do passado, mostrando sinais de que as manifestações, passeatas e os protestos das mulheres não era uma preocupação infundada e no presente podemos acompanhar toda a evolução dessa situação tão absurda imposta desde que Sam Myers assumiu a presidência. 

Mas não foram só as mulheres que tiveram suas vidas modificadas por esses homens. E aos poucos implementaram modificações que se deram desde a programação na televisão, a erradicação das mulheres em cargos importantes e até no sistema escolar, na tentativa de controlar as gerações futuras.

Assustada com todas as mudanças com que precisa lidar, Jean teme que o pior ainda está por vir quando se depara com seu filho estudando disciplinas ligadas a religião que estão sendo pregadas de forma errônea, fazendo uma verdadeira lavagem cerebral na cabeça dessa geração, recrutando-os como verdadeiros soldados e virando selvagens dentro de casa, sabe que precisa proteger sua filha e essa chance parece estar mais perto, quando novamente é chamada para retomar suas pesquisas afim de ajudar na reabilitação do irmão do presidente.

Por ser a melhor em sua área, Jane aproveita para conseguir salvar sua filha e livrar do contador de pulso delas. E essa jornada irá trazer revelações tão chocantes que Jean não sossegará enquanto não acabar com os planos desse modelo político e religioso tão distorcido.



Sem dúvidas esse livro foi a distopia mais impactante que já li na vida. Vi os relatos sobre O conto da Aia, mas como não foi uma leitura que ainda realizei não posso comparar. Porém depois de conhecer Vox, certamente vou me preparar psicologicamente para ler mais sobre o assunto. 

A autora trouxe tanta intensidade a cada capítulo que é impossível não ficar acuada ou medo de que algo nessa proporção possa vir acontecer em uma realidade não tão distante. Veja bem, não é que eu tenha algo contra os homens, o problema está na forma distorcida e até doentia que boa parcela que está no poder é capaz de realizar. 

E a proporção que as reviravoltas são contadas ao longo da história é de assustar, por isso tentei não entrar em muitos detalhes sobre tudo o que acontece na leitura. 

Sobre a edição: Como recebi o ebook em parceria com a editora não temos muitos detalhes da capa, mas sobre os capítulos eles são curtinhos e mesmo sendo muitos, a leitura é rápida e tem um bom ritmo.

Vox é uma leitura impressionante, impactante sobre o quanto nós mulheres não devemos nos silenciar e nem deixar de lado tudo o que conquistamos até aqui. Precisamos continuar a lutar para que em um futuro, possamos não nos preocupar que situações como essa possam vir acontecer, ceifando nossas vidas com danos irreparáveis. 

Uma das melhores leituras realizadas esse ano sem dúvidas.







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15 comentários

  1. Oi Camila. Que nervosa que fiquei e que história..VOX é um livro que mexe demais com a gente, é uma distopia muito além.. E como disse é uma leitura impactante.to curiosa para fazer a leitura

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  2. Alguém falou distopia???? UAU esse livro parece ser tão tão próximo da nossa realidade que chega a ser aterrorizante. Sinceramente, eu já acho que em alguns locais, as mulheres perderam a voz. Eu tô curiosa por esse livro. Achei a proposta inteligentíssima e bastante atual. Não curti a capa, mas, só isso mesmo.

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  3. Oi, Camila! :D
    Já tinha visto a capa deste livro várias vezes, e toda vez que o via me sentia muito curiosa sobre ele, tanto devido à capa quanto ao título. Saber que é uma distopia que envolve a temática dos direitos das mulheres me atrai muito, pois é um tema muito importante e que tem me despertado mais interesse ultimamente. Fiquei super curiosa sobre as reviravoltas que você comentou que acontecem na história e quero muito lê-lo pra conferir também. Ótimo post! Beijos!

    Jéssica Martins
    castelodoimaginario.blogspot.com

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  4. nossa, deve ter sido uma leitura de impactar mesmo, o enredo é bem pesado, certamente lerei se tiver chance... faz tempo que nao vejo uma distopia que me atraia de cara assim...
    bjs...

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  5. Oiiiii,

    Gente do céu quero muito ler este livro!!!! Quando eu vi a sinopse dele eu pensei muito em O Conto da Aia, e é uma distopia tão real que jefa a dar medo de as coisas realmente acontecerem assim. Amei a resenha e adorei a dica, quero muito saber se ela vai conseguir mudar as coisas e se livrar do contador de palavras.

    Beijinhos...
    http://www.paraisoliterario.com

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  6. Olá, Camila!

    Só em ler sua resenha eu já fiquei angustiada. É sem dúvida uma distopia muitíssimo atual e que pretendo ler em breve, sobretudo depois da vitória de determinado candidato ontem. Ainda estou em choque. E posso imaginar como a protagonista desse livro deve se sentir. As pessoas não costumam ter uma noção real do quanto a democracia e os direitos humanos são frágeis. Se procurassem estudar mais, pesquisar mais, o passado e o presente, jamais poriam tudo em risco dessa maneira. Se tentamos argumentar com elas, tais pessoas (homens e mulheres) riem, como se estivéssemos exagerando, e não sei se sinto pena ou desprezo por tanta ignorância.

    A democracia pode ser perdida. Direitos considerados tão certos podem ser cerceados. Mas as pessoas parecem buscar justamente isso: o retrocesso.

    Em novembro irei ler O Conto da Aia, para a leitura coletiva da qual participo, mas depois quero ver se as pessoas leem Vox comigo.

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  7. Oi, Camila!
    Adorei a sua resenha. Eu já tinha visto o anúncio desse livro em algum lugar, mas sua resenha me convenceu de que devo ler ele pra ontem!
    Bjos
    Lucy - Por essas páginas

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  8. Oi, Camila :)
    Eu quase não leio distopias justamente por elas me fazerem me "sentir mal" por representarem tão bem a realidade. Mesmo sendo ficção, tem muito de verdade por trás e assusta pensar que a humanidade seria capaz de fazer qualquer coisa.
    Gostei muito da resenha. Vox está na minha lista de futuras leituras (quando eu estiver preparada psicologicamente rsrs). Primeiro quero ler o conto da aia.
    Mas vou confessar que estou com um pé atrás por conta desse tempo que estamos vivendo...
    Enfim, espero conseguir ler logo :)
    BEijinho

    http://ultimasfolhasdooutono.blogspot.com

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  9. Preciso ler urgente essa distopia, pois ao ver algumas resenhas, fiquei extremamente curioso em querer descobrir toda a trama. Está na minha lista de 2019.

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  10. Oi, Camila!
    Vi muita gente comentando sobre esse livro e como sou apaixonada pela temática feminista com certeza será uma leitura que farei em breve. Estou bem mais interessada em leituras sobre o assunto e essa me chamou muito atenção pela atualidade do tema.

    Beijos,

    Rafa - Fascinada por Histórias

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  11. Não sou de ler distopia, mas eu vejo tantas pessoas falando sobre esse livro que eu estou muito curiosa para ler. Depois que li a sua resenha, fiquei mais curiosa para saber como a Jean consegue libertar a sua filha e saber das reviravoltas que aconteceu o livro.

    Beijos

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  12. Olá, tudo bom?
    Não sou muito de ler distopias, mas devido ao cenário em que estamos vivendo, acabei me arriscando na leitura de O conto da Aia e foi uma leitura extremamente impactante. Quando soube que relacionaram vox ao livro citado anteriormente eu soube que precisava lê-lo e agora com sua resenha a vontade só aumentou! Fiquei curiosa para saber como essa personagem vai lidar com as limitações diárias de palavras e como vai tentar reagir a esse governo opressor. Dica mais que anotada! ♥
    Beijos!

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  13. Oi Camila,
    é da nossa natureza só dar valor quando perdemos, a nossa voz é algo tão automático, que não consigo imaginar não poder falar, ou ter a quantidade de palavras limitadas por dia. Realmente parece ser insano. Você me deixou muito animada para ler o livro, vou colocar na minha lista. Parabéns pela resenha.
    bjs.
    Pri.
    https://nastuaspaginas.blogspot.com/

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  14. Olá, eu estava super curiosa para conferir uma resenha desse livro e me parece ser uma leitura que eu vou amar, apesar de a história ser super tensa com isso de as mulheres terem um limite de palavras por dia. Parece ser uma história eletrizante que nos faz refletir sobre como os direitos das mulheres precisam ser mantidos com lutas diárias.

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  15. Acho que este enredo é muito pertinente par aos dias de hoje quando nós mulheres já conquistamos tanta coisa e ainda assim , tentam nos calar. Amei saber que você gostou. Só aumentou minha curiosidade.
    Beijos

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