| Resenha | Território Lovecraft - Matt Ruff - Editora Intrínseca

Título: Território Lovecraft (#016)
Autor: Matt Ruff   
Editora: Intrínseca
Ano: 2020
Páginas: 352
Onde Comprar: ASSINE O INTRÌNSECOS
Sinopse:


O ano é 1954. O jovem Atticus Turner, de 22 anos, pega a estrada em direção a sua cidade natal, Chicago, após receber uma carta do pai. Uma viagem trivial, exceto pelo fato de Atticus ser negro e de os EUA viverem sob um regime de segregação racial. Nesse contexto, furar um pneu ou sentir vontade de ir ao banheiro pode ser um pesadelo.
O suspense, a angústia e o verdadeiro terror gerados pela naturalização de situações absurdas da América segregada perpassam todas as oito histórias deste livro. A road trip de Atticus em busca do pai desaparecido está na primeira delas. Nela, somos apresentados aos personagens que acompanharemos ao longo das 352 pags e tambem ao universo criado pelo autor, que joga o tempo inteiro com as tensões raciais e as referências aos gêneros literários de ficção científica, fantasia e terror.
Os demônio que atormentam a população negra na vida real, contudo, revelam-se muito mais assustadores. Cidades em que é permitido por lei apedrejar e atirar em negros após o por do sol; policiais violentos e racistas, prontos para plantar uma falsa acusação e executar sumariamente o suposto culpado; vizinhos dispostos a depedrar a casa da nova moradora negra que nao é bem vinda. E, claro, grupo de pessoas encapuzadas que se reúnem para atear fogo nos negros.
Acostumados a enfrentar esses horrores no dia a dia, Atticus, assim como sua família e amigos, encaram as situações sobrenaturais do livro com determinação, incredulidade e ate mesmo humor. Em cada uma das histórias conhecemos os detalhes da vida de um dos personagens, e todos os pequenos enredos formam um quadro maior, que trata de uma misteriosa seita formada por homens brancos, adeptos da magia, que farão de tudo para conseguir mais poder.




Reunindo uma coletânea de oito contos, Território Lovecraft foi a aposta do clube Intrínsecos para o mês de janeiro. 
“Histórias são como pessoas, Atticus. Nós até podemos amá-las, mas não podemos alegar que são perfeitas. Sempre tentamos enaltecer suas virtudes e relevar seus defeitos, mas isso não faz os defeitos desaparecerem.”
Ambientada nos Estados Unidos, no ano de 1954, conhecemos Atticus que enfrentará uma verdadeira jornada de volta as suas origens após receber uma carta de seu pai pedindo que ele voltasse para casa pois tinha uma revelação importante para lhe fazer acerca de seus antepassados. Acontece que o relacionamento deles não é nenhuma maravilha, mas ao chegar na cidade, descobre que seu pai saiu na companhia de um homem branco misterioso, deixando Atticus intrigado e junto de seu tio George e com sua amiga Letitia, decidem resolver esse grande mistério envolvendo seu pai e logo descobrirão que esse é apenas o início de um longo, perigoso e obscuro caminho.

É com essa premissa que iniciamos a história desses personagens e que ditam o ritmo para os contos a seguir. Confesso que as três primeiras histórias me deixaram bem ligada, com aventuras, perigo por todos os lados, conseguindo assim sentir a fluidez e captando a essência do que o autor queria passar. Mas infelizmente nos seguintes a narrativa se tornou densa, arrastada e demorei bem mais que o esperado para concluir a leituras dos contos, talvez por cada um trazer protagonistas diferentes não consegui me conectar com todos os envolvidos.
“Atticus não disse nada, só se virou para a frente e tentou acreditar que a terra em que estavam entrando era diferente daquela que deixavam para trás.”


Território Lovecraft é carregado de críticas sociais, retratando uma época onde a segregação racial é extremamente potencializada. Penso que se em grande parte da leitura isso até incomodou, imagino para as pessoas que passaram ou ainda passam por isso, e por outro lado acredito que o objetivo do autor também é de nos tirar da zona de conforto e impactar com essas mensagens, mesmo em um tom exagerado. 

Com uma mistura de elementos de fantasia, aventura, mistério, ficção científica e terror ainda que de forma discreta, os contos conseguiram em seu final se entrelaçar, dando um maior sentido a tudo que foi proposto e um desfecho simpático. 

Foi a minha primeira experiência com o Intrínsecos e não posso dizer que foi incrível, não pela qualidade da obra, mas por ser uma leitura completamente fora da minha zona de conforto, porém vale ressaltar que ter lido a revista fez toda a diferença para que minha ambientação fosse mais aproveitada. Então minha dica para quem tem a caixinha é: leia a revistinha antes de entrar nesse desconhecido.


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2 comentários

  1. Oi, Cami

    Eu não consigo assinar essas caixas porque sou muito chata. Se chegasse um livro que eu não curtisse eu ia ficar muito revoltada, esse seria um deles, por exemplo. Hahahaha
    Mas curti saber que é uma antologia que trás críticas socias, é sempre algo muito louvável.

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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    Respostas
    1. Super entendo Tami!
      To gostando da caixinha, mas confesso que esse livro apesar das boas críticas, me deu uma decepcionada.
      Beijos!

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