| Resenha | Uma dor tão doce - David Nicholls - Editora Intrínseca

Título: Uma dor tão doce (Intrínsecos #17)
Autor: David Nicholls 
Editora: Intrínseca
Ano: 2020
Páginas: 384
Onde Comprar: INTRÍNSECOS
Sinopse:

É 1997 e Charlie está determinado a presentear a mãe com uma boa dose de culpa por ela ter se separado, saído de casa e o deixado como cuidador do pai: um músico de jazz falido, dono de uma loja de discos falida e, agora, também um marido falido. Para completar, o fim do casamento não podia ter acontecido em pior hora: os melhores amigos de Charlie se afastaram e ele tem certeza de que foi mal nas provas de admissão das universidades. Mais sensível e com mais problemas do que teria coragem de admitir para os colegas, o garoto passa o tempo livre andando de bicicleta e lendo.
Quem conta essa história não é mais aquele Charlie adolescente, mas o adulto, às vésperas do casamento. No entanto, são os eventos daquele verão - o drama familiar, o rompimento com os antigos antigos e o primeiro amor - que o transformam num narrador afiado e atento.
Nada feliz e um pouco ocupado naquelas férias, Charlie se depara acidentalmente com um ensaio de Romeu e Julieta. Sua primeira reação é fugir dos exercícios e improvisações daquela "galera do teatro", mas há um bom motivo para ficar: Julieta. No caso, a atriz que a interpretará. Fran Fisher, uma garota bonita, confiante e metida a artista.
Charlie - introvertido e sem uma forte personalidade - não poderia ser chamado de "ator nato", mas aos poucos melhora, principalmente quando Fran transforma a possibilidade de um encontro na motivação perfeita para mantê-lo na companhia de teatro. E o garoto vai passar as férias de reinventando à medida que seus horizontes serão ampliados tanto por Fran quando por Almodóvar, Nick Drake, Radiohead e sobretudo Shakespeare.
Uma dor tão doce é uma história de amor, mas também um romance sobre crescer, sobre sair de casa, sobre momentos que marcam e moldam nossa vida. Um livro emocionante sem ser sentimentalista, que, com muita destreza, inteligência e humor, faz uma análise hilária sobre a adolescência e o poder da arte.






“Fui embora de bicicleta com o olhar deles fixo em minhas costas e pensei: bem não tenho escolha.”

A vida de Charlie Lewis está de cabeça para baixo. Com o término de suas aulas e sua quase certeza de que não foi bem nos testes admissionais para a faculdade, só resta para ele culpar os dramas de sua casa, afinal tudo começou quando sua mãe resolveu ir embora, deixando-o para cuidar de seu pai que a cada dia consegue se tornar mais depressivo, diante seus fracassos. 

Para dar um tempo de todos esses dramas, Charlie resolve pegar sua bicicleta todos os dias e sair pela cidade, até que um certo dia ele se depara com uma garota e descobre que ela faz parte da companhia de teatro e que a mesma já esteve em seu colégio. 

Charlie se vê atraído por Fran Fisher, e ela só aceitará sair com ele, se Charlie for todos os dias ensaiar com a companhia de teatro. E como o clima em sua casa é bem pesado, ele vê a oportunidade de viver um verão bem diferente. 

“Estar apaixonado, sobretudo ser jovem e apaixonado, é como ouvir alguém descrever um salto de paraquedas ou um sonho bizarro, a fotografia tremida de um desempenho que revolucionou a vida, tirada de longe demais.”


Começo dizendo que não fazia ideia do que esperar com essa leitura, uma vez que foi minha primeira experiência com a escrita do autor. Não sei se pelo momento que estamos vivendo dificultou minha conexão com o enredo ou se porque não era pra ser mesmo. 

Entenda, a escrita não é ruim, de forma alguma. Em meio a narrativa temos várias referências ao teatro, principalmente Romeu e Julieta, um clássico de Shakespeare, o que torna o enredo rico. Mas a inconstância de ritmo ao longo dos capítulos dificultou demais que a leitura fosse agradável e em muitas partes fiquei dividida se conseguiria finalizar a leitura. 

Nicholls focou bastante nos sentimentos do Charlie e todas as lembranças daquele verão de 1997. É possível perceber aquele clima de nostalgia, a descoberta de um novo amor, através da narrativa do personagem quando mais jovem. 

Já nos dias atuais, sabemos que Charlie está prestes a se casar, demonstrando claramente suas nuances, uma visão mais madura de tudo o que passou e o quanto as intempéries da vida são capazes de nos fazer mudar, crescer, criar coragem para tomar atitudes e tirar exemplos dos relacionamentos familiares. 

Uma dor tão doce é uma história que fala sobre a vida, seus ciclos, como a vemos e como a encaramos mediante as circunstâncias. Com cenas de amizade, alguns diálogos mais leves com uma dose de humor, outros com um quê de nostalgia e drama. E para os amantes de teatro as referências são um deleite e um convite a leitura, ainda que o final não tenha sido tão doce assim, recomendo que leia e tire suas próprias conclusões.


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