| Resenha | As Outras Pessoas - C.J. Tudor - Editora Intrínseca

Título: As Outras Pessoas - Intrínsecos #019
Autora: C.J. Tudor 
Editora: Intrínseca
Ano: 2020
Páginas: 304
Onde Comprar: INTRÍNSECOS
Sinopse:

Uma menina pálida em um quarto branco. Mãe e filha em fuga, numa corrida desenfreada e sem destino. Uma garçonete de beira de estrada aprisionada na monotonia dos seus dias. E um pai que perde esposa e filha de maneira brutal e sem explicação. As histórias que se entrelaçam em "As outras pessoas" são peças de mais um quebra-cabeça sombrio e cheio de mistérios criado pela escritora C. J. Tudor.
Gabe é o pai desesperado que, consumido por uma esperança doentia, conduz a trama do livro enquanto guia seu carro pelas estradas em busca da filha. Ela, assim como a mãe, foi dada como morta num crime não solucionado. Mas ele tem certeza de que não foi bem assim. Apesar de todas as provas que o contrariam, o homem que fez da angústia sua melhor amiga jura ter visto a filha viva em um carro desconhecido, parado à sua frente num engarrafamento logo antes de voltar para casa na noite em que perdeu sua família. Três anos depois, Gabe não tem rumo. Continua dirigindo obsessivamente pelas rodovias, tentando encontrar um caminho que o leve à solução do mistério.
Mas é longe da estrada, nos cantos mais obscuros e doentios da internet. que ele acaba encontrando as pistas que tanto procura. Quem navega pela deep web sabe dos riscos, mas ele não se importa. Quem não tem nada na vida não tem nada a perder.
Assim como uma encruzilhada depois da curva, as várias histórias dessa trama se sobrepõem quando menos se espera e de forma surpreendente. Porque mesmo uma garçonete desencantada e entediada pode guardar informações que ninguém imagina. As figuras mais isoladas e enigmáticas podem um dia se converter em grandes aliados. Os personagens à margem da sua vida podem ser mais relevantes do que parecem. E os limites que separam o bem e o mal podem ser apenas pontos de vista diferentes.
Enquanto isso, uma nota de piano soa no quarto branco de uma menina pálida...





“Estar desaparecido é estar num limbo. Preso num lugar estranho e desolado onde a esperança brilha fraca no horizonte, e o desespero e a angústia espreitam como abutres.”

Gabe teve seu mundo virado de cabeça para baixo quando recebeu a notícia que sua esposa, Jenny e sua filha Izzy, foram assassinadas em casa. Mas o que ele sabe é que essa notícia referente a sua filha não pode ser verdade, pois quando estava na rodovia, ele viu sua filhinha em um furgão e chegou a persegui-lo sem sucesso. 

Desde então, Gabe incansavelmente dirige pela rodovia há três anos atrás de alguma pista que possa levar ao paradeiro de Izzy, até que em um momento, ele recebe a notícia de um conhecido que achara o furgão com as descrições que ele havia dado e logo que bate o olho, o reconhece. Fazendo uma minuciosa busca, Gabe encontra um corpo em estágio avançado de decomposição, um elástico de cabelo que era de sua filha e outros itens que levaria ao conhecimento de um grupo da darkweb intitulado As Outras Pessoas, uma espécie de organização onde fazem justiça com as próprias mãos e mais à frente cobram os favores daqueles que foram beneficiados. 

O que esse pai não consegue entender é porque alguém poderia querer fazer algum mal para sua família. A esperança se acende. Será que Izzy ainda está viva? Mas até conseguir juntas as peças de enigma, Gabe enfrentará um árduo caminho.

“A esperança é uma droga poderosa.”


Meu primeiro contato com a escrita da autora e confesso que estava com as expectativas lá no alto. Entre altos e baixos, os capítulos são fluidos e conseguem dar um ritmo interessante a trama. Mas estaria mentindo se dissesse que a construção desse thriller é incrível. Infelizmente não é. Faltou ação, empolgação, elementos que prendem o leitor e que deixa ligado do início ao fim. Acredito que tenha sido por CJ ter se alongado demais dando voltas em torno dos personagens secundários. 

As Outras Pessoas me lembrou demais a dinâmica do livro A Corrente, ainda que sua execução tenha outro propósito, é fácil de fazer essa interligação. Não achei ruim, é bom ter referências, principalmente em se tratando de um enredo que demonstra inteligência e ampla pesquisa no assunto a que se refere, no caso da darkweb e toda a sua obscuridade. E na verdade também nem faço ideia se autora se inspirou na obra ou a conhece. 

Me simpatizei com o protagonista, foi bom, porque serviu para eu dar sequência a leitura e torci para que ele conseguisse ter um desfecho merecido para sua angústia. 

Para quem gosta de tramas com finais fechados, não precisa se preocupar, mas para mim o mistério sobre quem causou tudo foi previsível, gostei até. A única coisa que me surpreendeu negativamente em seu desfecho foi um plot sobrenatural extremamente desnecessário, mas para os fãs da autora deve ser compreensível uma vez que a mesma não esconde sua adoração por King. 

Em todo caso, essas foram as minhas considerações e é sempre bom ler para tirar as suas próprias conclusões. Ainda quero ter oportunidade de ler outros livros da autora e espero ter boas experiências.


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2 comentários

  1. Oi, Cami

    Que pena que a construção da trama deixa um pouco a desejar. Eu ainda não li nada da autora, mas li boas resenhas sobre O Homem de Giz. Apesar da sua ressalva, fiquei com curiosidade de saber se a Izzy está viva ou morta!

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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    Respostas
    1. Oi Tami!
      Ainda pretendo ler O Homem de giz só recebo elogios sobre o enredo.
      Espero gostar!
      Beijos!

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