| Resenha | Proibido - Thabita Suzuma - Editora Valentina

Título: Proibido 
Autora: Tabitha Suzuma 
Editora: Valentina
Ano: 2014
Páginas: 304
Nota: 5🌟+💖
Onde Comprar: AMAZON
Sinopse:

*Livro recebido em parceria com a editora.
Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.
Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.
Eles são irmão e irmã.
Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.




Existe uma linha que não devemos ultrapassar, invisível...olhar para além dela é despir-se e perceber o quanto falhamos. E, seremos capazes de entendê-la se olharmos por vários ângulos dessa história.⁣⁣
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Queria dizer que se você espera uma história de repulsa, que revirará suas entranhas, olho para o além, digo: “Olhe para o horizonte, esqueça o romance que você pensa que encontrará. Olhe para você e a sociedade, me acompanhe...”⁣
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Lochan, adolescente brilhante, dedicado, estudioso, abnegado, humano, família. Tudo isso é Lochie. Aos seus 17 para 18 anos carrega nos ombros responsabilidades de um pai. Desde sempre sente a culpa de um casamento fracassado, o peso de uma família negligenciada. Cuida, zela, educa, ama os irmãos. Burla o sistema para garantir a união entre os eles.⁣ Mas, essas não são responsabilidades de um jovem, então seu corpo grita, mostra todas as falhas, não se socializa, não interage, tem crises de pânico, ansiedade e medo. Como confiar nas pessoas? Se essas não os protegem?⁣⁣
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Maya, 13 meses mais nova que Lochie, sociável, amável e divide com ele os cuidados exaustivo de uma casa. Juntos constroem uma rotina que vai além de cuidar e proteger os irmãos, para mantê-los unidos. Eles protegem-se das negligências da mãe.⁣⁣
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A mãe, fácil de odiar. Alcoólatra, frívola, egoista e irresponsável. ⁣⁣
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Kit, Tiffin e Willa, os irmãos a quem Lochie e Maya fazem de tudo para protegê-los. Cada um com uma personalidade única, como dedos em uma mão: ligados, necessários, mas únicos e nesse trio Kit se destaca como típico adolescente problemático, estourado e revoltado. Aos 12 anos, culpa os pais, se revolta por tudo que lhe foi tirado. ⁣⁣
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Dentre tudo, esses dois adolescentes criam uma conexão que vai além da relação de irmãos. Buscam um no outro tudo que a vida os negou. De maneira leviana? Não... e é aí que dói, e vai doer em você também.

Não há como romantizar tanta dor, é sofrível a consciência da linha invisível, para eles reflexo do abandono. ⁣⁣
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Eu queria dizer que é feio, repugnante, mas só vem injusto na minha cabeça. Algo enraizado na sociedade que deparamos e nos mostra as falhas da humanidade. Essa, que nem leu e foca em “incesto, nojo, repulsa”, mas que se abrir e olhar para linha, perceberá quem é si mesmo. Todas suas reações perante essa leitura será referente a si mesmo e você nem precisará dizer a ninguém, só a você.⁣⁣
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Eu odiei a mãe, ela foi criada para isso, mas quando parei para respirar, percebi como não senti o mesmo pelo pai, por quê? Porque é aceitável perante a sociedade o abandono masculino, está antes da linha invisível, tudo que vem antes é “aceitável”. Cabe a mãe arcar com todas responsabilidades. Falhamos como sociedade! Não que a eximo de suas culpas, mas me questiono. ⁣⁣
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A autora foi genial na abordagem do tema, deixou tudo ali as claras, bem exposto, mas usou o casal com problemas reais, trouxe a moral, trouxe os órgãos competentes, a escola, à família e concluiu: Falhamos!⁣⁣

Engraçado que a história é tão linda, angustiante e forte. Que amamos e sofremos. Aceitamos porque como disse, não se trata de romantizar, mas de olhar além da linha. Depois ela faz exatamente o que a sociedade espera, num desfecho viceral, angustiante com irmãos caminhando sobe o sol do meio dia, sorrisos. Mãos dadas, família sendo família. Sociedade sendo sociedade. E a vida marcando a chegada do verão, estação que aquece e diz que o amor, a família é o bem maior e as vezes podemos recomeçar ou só seguir em frente, enfrente...


Resenhado por Renata Aquilar 
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